Criadas há cem anos, vilas olímpicas podem deixar legado urbanístico para as cidades-sede ou se transformar em “elefantes brancos”. Entre Rio, Londres, Atenas e Munique, veja o que aconteceu com algumas delas.

Abstract
Em 1924, quando Paris recebeu pela segunda vez uma edição dos Jogos Olímpicos, uma inovação foi introduzida na estrutura da competição: criou-se uma vila olímpica, um espaço comum em que os atletas poderiam se hospedar durante os dias de evento. Localizada no bairro de Colombes, nos subúrbios da capital francesa, a vila visava estabelecer um senso de comunidade e integração entre os atletas. Feita de cabanas de madeira, cada uma com três camas, foi desmontada após os jogos.
Em um século, muito mudou na história das vilas olímpicas, que agora são consideradas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) um elemento fundamental para garantir a organização e o sucesso dos Jogos. Para as cidades-sede, tornaram-se também um sinônimo de legado pós-evento. Além de ser uma chance de promover econômica e turisticamente um local, podem transformar urbanisticamente regiões urbanas inteiras.
“Os Jogos foram crescendo em números de atletas, de esportes, e tudo isso foi gerando a necessidade de uma infraestrutura cada vez maior. Além disso, o evento passou a receber patrocinadores e viveu o efeito midiático”, diz a arquiteta e professora Renata Latuf, que pesquisou o legado urbanístico dos jogos do Rio de Janeiro 2016 durante doutorado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
Na era moderna, as cidades candidatas a acolher as competições estão descobrindo os megaeventos esportivos e seu potencial, e as estruturas pensadas para os Jogos Olímpicos permitem aos municípios promover sua imagem no mundo. “Os Jogos Olímpicos contribuem significativamente para deixar símbolos, monumentos e patrimônios nos locais que sediam o evento”, explica Valerio della Sala, pesquisador do Centro de Estudos Olímpicos da Universidade Autônoma de Barcelona.
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